Manter-se conectado ao Provedor

Evelin Castellar Frizotti

Os autores bíblicos se utilizavam de elementos da natureza e de atividades e vivências peculiares àquele período para transmitir ensinamentos. Perceber o sentido espiritual das Escrituras Sagradas é de grande ajuda em todas as épocas. Por exemplo, o salmista Davi via na atividade de pastor ideias que esclareciam e consolidavam o conceito de Deus como condutor e protetor: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Salmos 23:1). Quando leio este trecho: “O Senhor é a minha rocha…” (Salmos 18:2), imagino que uma rocha poderia significar para aqueles que estavam no deserto, sombra, abrigo das tempestades de areia ou um amparo seguro.

Para ensinar, Cristo Jesus também tomou exemplos de atividades diárias e elementos conhecidos pelas pessoas. O ofício da pesca teve uma conotação especial e enriquecedora, e dela podemos extrair muitos ensinamentos como, por exemplo, quando Jesus disse para Simão Pedro não temer porque seria um pescador de homens (ver Lucas 5:10). É salutar ver em todas as ocasiões a oportunidade de uma percepção mais espiritual, a qual, com toda certeza, nos conduz na senda do progresso.

Pude comprovar isso quando uma visaão técnica me ajudou a compreender melhor meu relacionamento com Deus e com o mundo, e a solucionar mais facilmente problemas profissionais e pessoais. Como oficial do Exército Brasileiro, gerente da área de Tecnologia da Informação, eu trabalhava com uma estrutura tecnológica muito complexa. A elaboração de projetos e suas implantações exigiam muito de nosso time. Nesses períodos, trabalhávamos além do horário normal.

Em um dia de muitos desafios no trabalho, quando recuperávamos algumas estruturas físicas e lógicas da rede de computadores, eu me sentia angustiada com decisões que deveria tomar no âmbito pessoal, no que se referia a minha filha, Emily. Na época, era necessário que ela ficasse em horário integral no colégio, o que extrapolaria meu orçamento.

Também me preocupava o fato de que a condução escolar não estaria mais disponível para levá-la à escola. Tudo indicava que eu teria de tirá-la daquele colégio. Chegou um momento do dia em que eu desejava estar em casa para orar com tranquilidade, pois na Ciência Cristã havia aprendido que a oração é o caminho prático para a resolução de problemas. Contudo, também sei que, como a oração é mental, não preciso estar em um lugar específico para orar. Percebi que naquele momento eu precisava colocar isso em prática.

Então, dirige-me para a sala dos “Servidores” (computadores que fornecem serviços para a rede de computadores) e observei que aquela estrutura de máquinas provia todos os serviços necessários para o funcionamento da rede, embora isso não fosse percebido pelos seus usuários.

Naquele instante, fiz uma analogia com minha relação com Deus. Reconheci que Deus era, é e sempre será o único Provedor, que fornece tudo o que é necessário, e que essa provisão se manifesta de forma infinita para cada um de nós.

Ponderei mais sobre o assunto e vi que aquelas máquinas proviam para os usuários todos os serviços da rede, de diversas maneiras e através de várias rotas, mesmo sem eles saberem como. Então, senti, de todo o coração, que Deus, o meu Provedor, também já havia suprido minhas necessidades, mesmo antes de eu perceber de que forma.

A solução já está sempre disponível, só precisamos descobri-la, como diz este trecho de Ciência e Saúde: “A Ciência revela a possibilidade de se conseguir todo o bem, e põe os mortais a trabalhar para descobrir o que Deus já fez; mas a falta de confiança em nossa habilidade de conseguir o bem desejado e produzir resultados melhores e mais elevados, muitas vezes impede que experimentemos nossas asas, e desde o início torna certo o fracasso” (p. 260).

Dei-me conta de que começava a mudar meu estado mental e a perceber a realidade de nossa verdadeira ligação com Deus. Reconheci, também, que nosso “link” (ligação) com o Amor divino não falha, não sai do ar e nada pode interromper nosso acesso a Ele. Lembrei-me destes versículos da carta de Paulo aos Romanos: “Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus…” (8:38, 39), e entendi que nada pode deter o fluxo de amor que vem de Deus a todos os homens e mulheres.

Como foi maravilhoso sentir essas verdades em ação! Despertei para o fato de que nessa conexão inquebrantável com Deus não há vírus nem intrusos, como pensamentos de medo, dúvida, tristeza, frustração e crise. O sistema de segurança é perfeito e esse acesso é gratuito e disponível a todos, em todos os lugares.

Senti uma tranquilidade profunda e saí daquela sala renovada e em paz. Voltando para casa, veio-me ao pensamento que deveria ir ao colégio conversar com o diretor e lhe pedir uma bolsa de estudos para a Emily. Em troca, lhe proporia a prestação de serviços na área de informática, durante meus horários disponíveis.

As pessoas com as quais havia conversado acharam que seria perda de tempo eu conversar com o diretor do colégio, mas as impossibilidades humanas não mais me intimidavam, pois eu já tinha percebido meu “link” permanente com Deus, o bem infinito e protetor.

Fiz a proposta ao diretor. Ele a anotou, disse-me que era um caso difícil, mas que o estudaria. Depois de duas semanas, soube que havia conseguido 10% de desconto na mensalidade, mas isso continuava a inviabilizar a permanência de minha filha na escola.

Não me permiti abater. Fiquei firme com a ideia de Deus ser a fonte única do bem, e declarei em voz alta: “O Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (Ciência e Saúde, p. 494).

Acalmei-me e pedi para falar novamente com o diretor. Ele me atendeu gentilmente, junto com a diretora pedagógica. Tivemos uma conversa muito harmoniosa.

Dois dias depois, pediram-me para que eu fosse ao colégio acertar os detalhes, pois minha proposta fora aceita! Aquela notícia foi uma linda demonstração do poder de Deus e do Seu governo em todas as circunstâncias.

Contudo, eu ainda precisava resolver o problema da condução escolar. Continuei a pensar que a inteligência divina provê todo o necessário. Eu saberia o que fazer, porque a Mente provedora, Deus, é sabedoria infinita, e eu, como imagem e semelhança da Mente, reflito esse saber consciente em minhas ações.

Alguns minutos depois, lembrei-me de um primo que trabalhava de forma autônoma. Resolvi lhe propor que levasse a Emily ao colégio pela manhã e a buscasse no final da tarde, o que ainda lhe possibilitaria ter outras atividades durante o dia. Ele aceitou imediatamente, o que foi muito bom! Ainda incluí outra aluna do colégio que também estava com problema de condução, o que significou uma ajuda financeira ainda maior para meu primo. Todos foram abençoados, o que, para mim, exemplifica a conexão de todos com o bem.

Fiquei muito grata por compreender que as limitações impostas em um contexto humano não se sustentam, quando as expomos à luz da Verdade e enxergamos o universo criado por Deus e Sua conexão com tudo e com todos. Por isso, tenho a certeza de que fazemos parte dessa rede espiritual infinita, que é ligada pela inteligência onisciente e universal. Como resultado do bom trabalho desenvolvido na escola, o coordenador de informática do colégio me convidou para lecionar em uma universidade, o que foi uma ótima oportunidade financeira, e de crescimento profissional e pessoal. Adquirir um conceito sólido sobre o Provedor infinito iluminou meu pensar e trouxe a certeza de que todos, em qualquer situação e lugar, estão sempre conectados ao Amor divino e podem contar com sua ajuda. Em menos de um ano, minha filha já não precisava mais da bolsa de estudos.

Como é bom saber que as atividades diárias podem trazer uma percepção mais elevada sobre todas as coisas. Todos podemos reconhecer que nossa conexão ininterrupta com o bem comprova que as bênçãos são infinitas e constantes.

Evelin é Praticista da Ciência Cristã no Rio de Janeiro, RJ.

 

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Vivendo a Palavra inspirada

 

Genelle Austin-Lett

Tradução livre por Marcelo Palominio a partir da edição de 11 de janeiro de 2010 do Christian Science Sentinel.

 

“Como adeptos da Verdade, tomamos a Palavra inspirada da Bíblia como nosso guia suficiente para a Vida eterna.” Esta declaração de Mary Baker Eddy estabelece as bases para a Lição Bíblica da Ciência Cristã desta semana, intitulada “Vida” (Ciência e Saúde, p. 497, citação 2).

 

Uma das diversas idéias de apoio é o tema do pão. É este “pão da vida” o alimento físico ou os bens materiais como, por exemplo, o dinheiro? Ou é a Palavra de Deus, o Cristo, a Verdade, que nos inspira, corrige e nos instrui a como viver a vida (cf. 2 Tm. 3:16, cit. 1.)? A Lição aponta para uma dicotomia marcante sobre como a vida deve ser encarada.

 

Do Texto Áureo até a sexta seção, aprendemos que a Bíblia nos alimenta e sustenta: “Não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem” (Dt . 8:3, Texto Áureo). Este versículo foi a defesa de Jesus contra o diabo, quando este tentou induzi-lo a transformar pedras em pães. Deste modo, Jesus confiou nas Escrituras para a sua sobrevivência.

 

A lição desta semana chama a atenção do leitor para a Bíblia na busca de respostas para cada aspecto da vida. A Bíblia não é apenas nosso guia “suficiente para a Vida eterna”, diz Ciência e Saúde, mas que ela é o “mapa náutico da vida” e “contém a receita para toda a cura” (p. 497, cit. 2, p. 24, cit. 4, p. 406, cit. 16). De que mais poderíamos necessitar?

 

Muitas posses materiais ou ocupações humanas tentam nos impedir de seguir a orientação de Jesus.

 

Cada seção ilustra como o conhecimento da Bíblia sustenta a vida. Por exemplo, o escriba Esdras reuniu os exilados que retornavam em frente a reconstruída represa de água de Jerusalém. Havia, sem dúvida, uma vontade não só de ouvir a lei de Moisés, mas de compreendê-la, de modo que não fossem repetidos os erros do passado. Do amanhecer ao meio-dia, Neemias, Esdras e os levitas explicavam cada sentença que liam (ver Neemias. 8:8, cit. 3). Essas pessoas, que retornavam do cativeiro na Babilônia, estavam empenhadas em tornar a Palavra de Deus o seu “mapa náutico da vida”.

 

Aprendemos que este mapa não é dependente da idade ou das “medidas mortais”, mas da compreensão espiritual (Ciência e Saúde, p. 595, cit. 7). O desejo de mais estudo e oração, não está sujeito à disponibilidade de tempo, porque “. . . a Mente mede o tempo de acordo com o bem que se desdobra” (Ciência e Saúde, p. 584, cit. 9).

 

O tempo não é o único elemento inibidor para a compreensão da vida. Muitas vezes as posses materiais ou ocupações humanas tentam nos impedir de seguir a orientação de Jesus. Em outro exemplo da Bíblia, um governante rico pergunta a Jesus como ele pode herdar a vida eterna. Jesus se utiliza da compreensão que aquele homem tinha das Escrituras e do modo como ele vivia os “mandamentos” em relação ao próximo. Jesus não inclui os quatro primeiros mandamentos, mas se utiliza daqueles associados com a questão de como ser um bom próximo. (O mandamento de cobiçar poderia muito bem ter sido excluído, porque é uma atitude mental não observável.) O homem responde que estava seguindo esses mandamentos desde a juventude. Mas ele fica muito triste quando Jesus convida-o a vender todos os seus bens, dá-los aos pobres e segui-lo, visto que o homem tinha uma grande riqueza. Naqueles dias, os judeus viam a riqueza como um sinal da graça de Deus, enquanto que a pobreza era considerada como um castigo pelos pecados. Será que, Jesus quis mostrar que ser um discípulo exige algo mais do que simplesmente a obediência aos mandamentos de Deus (cf. Lc 18:18-30, cit. 11)?

 

Era costume na época de Paulo que as pessoas portassem cartas de recomendação.

 

Que tipo de fé Jesus exige? É possivel cedermos numa atitude de preocupação para com a materialidade? Ou será que somos chamados para examinar as nossas prioridades? As palavras de Jesus sugerem que se exige um profundo desejo de abandonarmos a matéria como meio de segurança e confiarmos em Deus como a fonte de cada aspecto de nossas vidas, incluindo a cura.

 

Ciência e Saúde não diz que a Bíblia contém a receita apenas para uma cura, mas para toda a cura (cit.16). A cura da insanidade e da morte não deve ser descartada como impossível. Jesus falou com autoridade a um homem com um “espírito imundo” (ver Lucas 4:33-36, cit. 13). Paulo demonstrou a mesma autoridade, quando ressuscitou Êutico dos mortos (veja Atos 20:7-12, cit. 17). Não é esta uma indicação de que cada um de nós, ao nos confrontarmos com qualquer forma de doença, devemos falar com autoridade?

 

A Seção 6 nos ensina como ser “a carta” que os outros irão ler. Era costume na época de Paulo que as pessoas portassem cartas de recomendação. Assim, eles teriam entendido quando ele lhes disse que suas vidas deveriam ser uma carta sobre Deus que outras pessoas poderiam ler. A mensagem de Paulo ecoa a de Jeremias acerca de um novo pacto ou aliança a ser escrita em nossos corações (cf. Jer. 31:31, 33). Será que não é o caso de andarmos por aí com a Palavra de Deus tão profundamente escrita em nós que as pessoas possam assim aprender algo sobre Deus? Sobre a Vida? Sobre a Ciência Cristã? Este comprometimento com a Palavra vai bem além de uma simples declaração de nossa boca. Ela deve tornar-se quem e o que somos.

 

Cada um de nós pode entender a Vida através de um profundo exame das Escrituras e o que é a vida além desse entendimento.

 

Genelle Austin-Lett é diretor executivo da BibleWise.com e diretor deliberativo na San Jose State University, na Califórnia, EUA.

 

 

Vida:

 

A Bíblia:

2 Tm. 3:16

Deut. 8:3

Nee. 8:8

Lucas 18:18-30

Lucas 4:33-36

Atos 20:7-12

Jer. 31:31,33

 

Ciência e Saúde:

497:3

24:4

406:1

595:17

584:4

 

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Mudar o pensamento estabelece a harmonia

Antonio Carlos Rabelo Cabral

Fazia três anos que eu trabalhava em uma instituição pública, na qual realizava meu trabalho com satisfação e dedicação. Tudo corria bem, até o momento em que a chefia mudou. A postura administrativa dos novos superiores, na minha opinião, não era a mais sábia e acabei por não me posicionar a favor de algumas decisões da nova administração.

Como uma espécie de punição a esse meu posicionamento contrário, fui removido para um local distante da cidade em que moro, o Rio de Janeiro. O deslocamento de ônibus até a nova repartição era caro, longo e cansativo; o trajeto demorava em média 4 horas. Decidi, então, pedir a uma Praticista da Ciência Cristã que orasse comigo para aquela situação.

Pela oração, vi que precisava mudar a postura de enfrentamento com relação ao que eu não concordava. Procurei ser muito cordial com os novos colegas de trabalho e desempenhar minhas atividades da melhor forma possível. Não tive dificuldades de adaptação ao novo setor e logo fiz bons amigos. Entretanto, aquele ainda era um local distante e eu não tinha como desempenhar funções que se enquadravam com a minha formação.

Procurei firmar no pensamento que Deus é o bem infinito e onipresente, e que governa tudo com justiça. Por isso, não havia espaço para nenhum atrito nem punição. De acordo com este versículo bíblico: “…nele [em Deus] vivemos, e nos movemos, e existimos…” (Atos 17:28), reconheci que, como vivo na onipresença de Deus, que mantém tudo em perfeita ordem, eu não poderia nunca estar fora do lugar certo nem afastado das atividades que melhor abençoassem a todos e a mim. Nosso lugar e nossas atividades não podem ser tirados de nós por nenhuma pessoa ou circunstância. Deus é harmonia e eu faço parte dessa harmonia onde quer que eu esteja. Orar dessa forma nos leva a encontrar o lugar correto.

Percebi também que precisava ser grato. Apesar das dificuldades no trabalho e no deslocamento, conheci outra cidade e fiz novas amizades. Passei a enxergar aquela transferência como um aprendizado, ao invés de como um castigo, e a confiar que a única ação é a da Mente divina.

Depois de um ano e dois meses, fui convidado a retornar para o local de trabalho no Rio de Janeiro, para o mesmo setor e para desempenhar a mesma função anterior. Aos poucos, estabeleceu-se uma nova chefia e as pessoas que conduziram minha remoção foram transferidas para outros setores. Logo em seguida fui designado a ser o substituto do novo gerente.

Pouco tempo depois, candidatei-me a uma vaga em outro setor da mesma instituição, para a qual fui aceito. Depois, fui aprovado em outro concurso e assumi um novo cargo em outra instituição pública. Todas essas transições ocorreram em harmonia. Deixei amigos em todos os lugares em que trabalhei.

Com essa experiência, comprovei que todos os desafios que enfrentamos são oportunidades para mudar o pensamento e crescer espiritualmente. No meu caso, passei a estudar a Bíblia e o livro Ciência e Saúde com mais seriedade e regularidade. Os ensinamentos da Ciência Cristã sempre nos conduzem a uma solução equilibrada e que abençoa a todos.

Antonio mora com a esposa e o filho no Rio de Janeiro, RJ. 

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Procurar e encontrar “a pessoa certa”

 

Virginia Hughes

Estava envolvida em um relacionamento havia doze anos, quando minha vida começou a mudar. Embora meu namorado e eu desejássemos nos casar algum dia, não estávamos seguros de que éramos a escolha certa um para o outro. À medida que estudava a Ciência Cristã e compreendia, com mais profundidade, o que significa ter um estilo de vida espiritualmente saudável, descobria que minha atitude em relação a vivermos juntos, sem o compromisso do matrimônio, estava mudando. Decidimos ter um relacionamento platônico, enquanto decidíamos sobre o casamento. Após um mês, meu namorado e eu percebemos claramente que devíamos nos separar. Essa resolução foi o resultado de muita oração da minha parte e me pareceu correta.

Foi então que me deparei com um novo desafio. Pela primeira vez em muitos anos, tinha de pensar em sair com rapazes, namorar. Durante a maior parte da minha vida, havia desejado ter marido e filhos e achava que, de uma maneira geral, namorar era o primeiro passo para consegui-los.

Ponderei sobre namorar no contexto do que eu estava aprendendo na Ciência Cristã a respeito de moralidade e castidade. Sempre havia pensado que castidade fosse igual a celibato, portanto, bom para padres, mas não algo que fosse importante para minha vida. Contudo, quando pesquisei o significado da palavra, percebi que castidade respeita e afirma a virtude da sexualidade dentro do casamento. Essa era uma idéia nova para mim, mas que agora achava muito interessante.

Mary Baker Eddy escreveu em Ciência e Saúde: “A castidade é o cimento da civilização e do progresso” (p. 57). Esse era um conceito que me parecia muito rico e promissor, por isso, aceitei-o e procurei viver dessa maneira.

No início, imaginei que ficaria sexualmente muito frustrada após o término daquele longo relacionamento, mas fiquei encantada ao perceber que não estava. Creio que, em parte, isso tinha a ver com outra passagem que aprecio em Ciência e Saúde, onde se lê: “O desejo é oração; e nenhuma perda nos pode advir por confiarmos nossos desejos a Deus, para que sejam modelados e sublimados antes de tomarem forma em palavras e ações” (p. 1).

Os desejos que vêm a nós, provenientes de Deus, nos abençoam.

À medida que ponderava sobre essas idéias, ficava claro para mim que Deus não nos dá desejos para nos atormentar. Ele nos ama. Ele é nosso Pai-Mãe. Portanto, os desejos que nos advêm, provenientes de Deus, nos abençoam ao invés de nos frustrar.

Compreendi que, como filha espiritual de Deus, não fora criada como um ser sexual, atormentado por hormônios inquietos. Na verdade, não precisava sofrer ou me envolver em atividades sexuais antes do casamento. Havia ainda uma terceira opção, na qual não havia pensado antes. Podemos esperar em Deus e confiar a Ele nossos desejos de um companheirismo que satisfaz. Enquanto isso, não precisamos ficar angustiados pela abstinência sexual. Não fomos programados para nos submeter a instintos animais. Somos programados para ser castos.

Uma outra coisa que notei no trecho sobre desejo em Ciência e Saúde, é que ele se refere ao tempo, ou seja, à sincronia de Deus, e não ao medo de um relógio biológico que está ficando sem corda ou abandonado à sua própria sorte. Podemos confiar nossos desejos por casamento, filhos e companheirismo a Deus. Contudo, às vezes, eles precisam ser modelados e sublimados. Precisam ser purificados de qualquer coisa que os leve a nos prejudicar.

Qual era meu real desejo?

Eu desejava realmente pensar sobre meu conceito de companheirismo e casamento em um contexto de desejo real. Qual era meu desejo real? Como esse desejo poderia ser modelado e sublimado para abençoar a mim e aos outros?

Para mim, isso significava que eu entraria em um relacionamento com motivos altruístas. Podia confiar em que o casamento não só abençoaria a mim e a meu marido, mas também a quaisquer filhos que tivéssemos, e, até mesmo, a toda a sociedade.

Como acalentava esse desejo de ter um marido e filhos de forma diligente, por alguma razão, eu esperava ver resultados imediatos. Ponderei: “Ficarei sem namorar por mais ou menos um ano, até que esteja firmemente alicerçada em meu estudo da Ciência Cristã”. Depois de um ano, pensei: “Tudo bem, estou pronta. Deus, Tu podes me enviar a pessoa que Tu queres que eu namore”.

A essa altura, comecei a pensar sobre o comportamento adequado no namoro. Como eu conduziria o lado físico de um relacionamento? Pela leitura da Bíblia, comecei a pensar sobre relacionamentos em termos de compromisso de noivado. Ao pesquisar esse conceito, li sobre José e Maria e o compromisso de noivado deles, anterior ao nascimento de Jesus.

Aprendi que, nos tempos bíblicos, noivar era um compromisso sério. Não era tão simples como os compromissos de hoje. Era uma espécie de contrato; portanto, romper esse noivado era um passo muito grave e não ocorria com freqüência. O período de noivado certamente merecia, e de fato exigia, toda fidelidade e compromisso que se aplicam ao matrimônio.

Gostei da idéia de que eu era noiva de alguém que meu Pai-Mãe Deus havia escolhido. Muito embora meu divino Pai-Mãe não tivesse ainda revelado o nome da pessoa, tinha uma doce confiança naquilo que para mim era um período de noivado e que poderia utilizá-lo como uma preparação para o casamento, para me tornar uma boa esposa e mãe. Também gostei da idéia de que não precisava marcar encontros com uma série de rapazes à procura da pessoa certa.

Embora esse período tenha durado quase dez anos, ainda assim foi uma época muito feliz. De vez em quando, ocorria-me que talvez casamento e filhos não fossem acontecer. Por isso, minha oração mudava para algo ao longo destas linhas: “Acho que esse desejo provém de Ti, Deus. Se assim for, confio em que Tu o realizarás, mas, se não for, por favor, leve-o para bem longe de mim”. Como o desejo não desapareceu, encarei isso como um bom sinal.

Apesar do tempo prolongado, não me sentia insatisfeita com a minha vida. Gostava do meu trabalho, tinha bons amigos, e desfrutava agora de um relacionamento muito melhor com minha família, do que tinha antes.

Conheci alguns rapazes simpáticos, mas, quando nos conhecíamos melhor um ao outro, ficava claro que um relacionamento sério não estava em nosso futuro. Nem mesmo tive de passar pelo intenso processo de marcar encontros, o que a busca por um companheiro parece exigir. Novamente, isso se encaixou na convicção que tinha de que estava noiva e de que Deus me faria saber qual era a pessoa certa, portanto, não precisava marcar muitos encontros.

A oportunidade surgiu quando quis aprender a dançar e uma amiga me disse que um conhecido nosso era um bom dançarino. Ele se ofereceu para me dar umas duas aulas, para me ajudar a decidir se iria tomar aulas com um profissional ou não.

Ele não estava interessado em ter filhos.

Logo no nosso primeiro encontro, quando estávamos nos conhecendo, o assunto sobre crianças e educação surgiu porque ele havia sido professor. Salientou que, embora gostasse de crianças, não estava interessado em ter seus próprios filhos.

Por causa disso, achei que ele não seria a “pessoa certa”, uma vez que estivera orando durante anos por um marido e filhos. Ainda assim, passamos um bom tempo dançando. Nossos caminhos continuaram a se cruzar, porque estávamos envolvidos em algumas atividades juntos. Uma amizade agradável foi se desenvolvendo, mas imaginava que não levaria a nenhum romance. Entretanto, depois de uma meia dúzia de almoços, jantares ou de outras reuniões com amigos, não pude afastar a sensação de que esse era o homem certo.

Uma tarde, volvi-me novamente a Deus. Minha oração foi mais ou menos assim: “Tudo bem, Deus. Ele não quer filhos, mas eu quero. Portanto, ajude-me ou a me livrar dessa idéia ou a compreender como isso poderá dar certo”.

Então, achei que Deus poderia lhe dar o desejo por filhos. Ponderei que, pelo fato de esse homem ter qualidades maravilhosas que fariam dele um pai excepcional, isso seria um resultado natural. Por isso, quando comecei a orar, achei que Deus talvez pudesse muito bem remover tudo o que estivesse tolhendo nesse rapaz o desejo por filhos.

Tinha de respeitar o direito dele de não querer ter filhos.

Contudo, nessa ocasião, li um artigo que a Sra. Eddy escreveu, intitulado: “O matrimônio”, publicado em seu livro Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896. Notei um trecho na página 289, em que ela fala sobre como temos de respeitar o direito de uma mulher optar por não ter filhos, o que era uma idéia bastante radical naquela época. Subitamente, dei-me conta de que tinha de respeitar o direito desse homem de não querer ter filhos, e não mais abrigar em minha mente a idéia de que algum dia ele despertaria e perceberia o grande pai que poderia ser.

Essa idéia me pareceu muito natural. Ocorreu-me que, da mesma forma que Deus estivera modelando e sublimando meus desejos, durante todo aquele tempo, Ele estava fazendo a mesma coisa com meu futuro marido. Deus é Mente e isso significa que Ele tem a inteligência para modelar os desejos das duas pessoas, de forma que se ajustem, tal como peças de um quebra-cabeça.

Surpreendentemente, quando compreendi que precisava respeitar o direito de escolha dele, meu desejo de ter filhos me deixou, de forma instantânea. Todos aqueles anseios simplesmente desapareceram!

Isso foi um enorme progresso. Depois de todos esses anos orando por um marido e filhos, foi quase como o despertar de um sonho. Desejar ter filhos era um sonho doce, mas assim que despertei dele, percebi que ele realmente não fazia parte da pessoa que eu era.

Vi, pela primeira vez, que ficava feliz em devolver as crianças aos pais.

Ao analisar retrospectivamente minha vida, até mesmo quando era criança, vi que preferia passar mais tempo com adultos. Embora gostasse de ficar com as crianças enquanto ensinava na Escola Dominical, dava aulas particulares ou cuidando de meus sobrinhos, percebi, pela primeira vez, que ficava muito feliz em devolver as crianças aos pais no final do dia. Criar filhos não era realmente o que eu desejava. Perguntei-me: “Será verdade?”

Era. O desejo por filhos nunca mais voltou. Todavia, o desejo de me casar não desapareceu, e, de fato, estava mais forte do que nunca. Na semana seguinte, esse homem e eu começamos a namorar seriamente. Foi como se eu precisasse abandonar aquele único sonho para aceitar o presente que Deus estava me dando.

Acho graça quando lembro dessa jornada, porque todas as vezes que orei a Deus e Lhe pedi que, ou atendesse ao desejo por um marido e filhos ou removesse o desejo de minha mente, havia imaginado que eles viessem juntos. Ao invés disso, Ele atendeu a um dos desejos e removeu o outro. O desejo que permaneceu foi mais do que suficiente. Não foi um prêmio de consolação.

Nossos desejos se combinaram harmoniosamente.

Começamos a namorar em abril, ficamos noivos em outubro e nos casamos naquele mesmo ano. Foi tudo muito natural. Com freqüência nos olhávamos cheios de felicidade e dizíamos: “Deus age com tanta precisão”. Nossos desejos se combinaram harmoniosamente.

Algumas vezes, nesses cinco anos desde aquela ocasião, discordamos a respeito de algumas coisas, como a maioria dos casais, mas nos alegramos quando chegamos a uma resposta de consenso, a qual é sempre uma solução muito melhor do que a que tanto ele como eu chegaríamos por nós mesmos. Nossa vida tem sido enriquecida por esse companheirismo e pelo empenho que investimos nela. Juntos somos definitivamente mais fortes.

Deus deseja o melhor para nós. É maravilhoso descobrir como é bom confiarmos em Deus e em Sua perfeita sincronia.

Virginia Hughes vive em Swampscott, Massachusetts, EUA.

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O PODER DA GRATIDÃO

Palestra proferida em 1996 por Myrtle Smith, de Belfast, Irlanda do Norte e gravada em fita cassete

Tradução Livre

Estou muito agradecida de poder estar com os Srs. Hoje para compartilhar algumas idéias sobre o poder da gratidão. Quando eu era jovem e lia muito a Bíblia, pensava que Deus só poderia ser muito vaidoso ou muito temeroso, porque sempre pedia que nós louvássemos o seu nome porque várias vezes pedia que o glorificássemos, o enaltecêssemos, e que lhe rendêssemos graças. Perguntava-me porque nos pedia que o louvássemos o tempo todo. Será que sofria de insegurança? Ele tinha necessidade disso? Só quando comecei a entender o poder da gratidão é que compreendi o que Ele fazia por nós. Pedia a nós que tivéssemos gratidão, porque quando sentimos gratidão colocamos em ação um poder em nossa experiência, um poder maravilhoso.

Notarão que durante toda esta palestra repetirei várias vezes: “O pássaro canta antes do amanhecer”. Fico encantada ao refletir sobre isso. Tendemos a imaginar que primeiro amanhece o dia e depois os pássaros cantam, mas é o contrário que ocorre, primeiro os pássaros cantam e depois o dia amanhece. Os pássaros começam a cantar a noite no momento de maior escuridão, e nós podemos tirar uma lição disso. Quando atravessamos dificuldades, faríamos bem em lembrar que “O pássaro canta antes do amanhecer”. Se começarmos a cantar louvores a Deus, a escuridão desaparecerá. A gratidão ajudou-me diversas vezes em minha vida e, agora, gostaria de compartilhar algumas dessas experiências com os Srs.

Desde que comecei a estudar a Ciência Cristã, sinto-me muito grata pela celebração do Dia de Ação de Graças. Esta celebração era particularmente uma tradição americana, mas graças a Mary Baker Eddy a lição sermão dedicada a esse dia é lida no mundo todo. Por isso, quando meus filhos ainda eram pequenos, por mais pobre que fôssemos, nós sempre fazíamos uma ceia especial no Dia de Ação de Graças para, juntos com todos dos Estados Unidos, darmos graças.

Em uma ocasião de final de férias escolares, quatro dos meus filhos teriam que voltar às aulas da Escola de Cientistas Cristãos que freqüentavam na Inglaterra. Eu não tinha o dinheiro para comprar as roupas que necessitavam e nem sequer para pagar o aluguel de nossa casa. Estava separada de meu marido e ele havia deixado de trabalhar só para não ter que nos dar qualquer dinheiro. Por isso o único dinheiro com que contávamos era o que eu ganhava como praticista que na Irlanda do Norte não era muito. Embora eu sempre orasse por toda esta situação, nesse dia encontrei-me muito deprimida.

Nessa manhã minha filha trouxe-me o café na cama, junto com uma rosa num pequeno vaso e disse-me: “Mamãe, hoje é Dia de Ação de Graças, porque não nos ocupamos com pensamentos de gratidão?” Respondi que ela tinha razão, que era aquilo que tínhamos que fazer. Então todos começamos a pensar no que tínhamos para estar agradecidos. E eu fiquei agradecida porque ainda me restavam na carteira 5 libras, que equivaliam a 10 dólares. Então anunciei aos meus filhos que íamos fazer compras. Compraríamos frango e faríamos uma linda ceia. Tudo sugeria que me apegasse a essas 5 libras, porque precisaria delas, mas decidi que por ser Dia de Ação de Graças, nós íamos celebrar com o resto do mundo. Compramos o pão que necessitávamos e conversamos muito sobre tudo que tínhamos para agradecer – pelo lindo dia, pelo canto dos pássaros – para onde olhávamos, encontrávamos motivos para estarmos agradecidos. Quando chegamos em casa, minha filha recordou-se da história da Bíblia em que Eliseu diz à viúva: “Declara-me o que tem em casa” (2 Reis 4:2). Por isso, ela e minhas outras duas filhas começaram a procurar o que tínhamos em casa. Encontraram farinha, manteiga e fizeram pão caseiro e biscoitinhos para a sobremesa. Meu filho foi ao jardim e apanhou as últimas rosas. Minhas filhas foram colocar a mesa, e enquanto eu as observava, me senti muito grata, porque isso era uma das coisas que haviam aprendido na escola – a maneira correta de colocar uma mesa. Meu filho colocou as rosas no centro da mesa e, juntos, tivemos uma linda ceia. Foi uma feliz ceia de Ação de Graças. No dia seguinte recebi dois cheques que não esperava e pude pagar as suas passagens para voltarem às aulas, pudemos ainda comprar sapatos e tudo de que necessitavam para a escola. E isto demonstrou para mim, uma vez mais, o poder de ação da gratidão.

Quando morava em outra casa, também num Dia de Ação de Graças que estava extremamente frio, com tudo congelado, eu me encontrava sem carvão para a calefação e com um cano quebrado. Além de alguns sacos gigantescos de cereal, não havia comida em casa. O leiteiro passava todas as manhãs para entregar o leite, mesmo sem poder pagá-lo há duas semanas. Por isso, durante mais de duas semanas, vivi de leite quente e cereal de trigo, esse era o meu desjejum, almoço e ceia. Decidi ficar trabalhando na cama, que tinha um cobertor elétrico e era o único lugar quente da casa. Ali me sentava o orava para os meus pacientes.

Quando despertei nesse Dia de Ação de Graças, sentia comiseração própria, e me pus a chorar imaginando que as coisas nunca melhorariam para mim. Mas por ser Dia de Ação de Graças, tinha que encontrar motivos para agradecer. Senti-me agradecida pelo cereal de trigo, pelo leiteiro continuar deixando leite na porta da minha casa; pelo cobertor elétrico; pelo telefone que possibilitava às pessoas falarem comigo; por minha privacidade, pois ninguém conhecia as circunstâncias que estava atravessando; fiquei profundamente agradecida pela água. E durante toda minha vida, diariamente, sinto-me grata pela água. Que faríamos sem água? Nos banhamos em água, bebemos água, cozinhamos nossa comida em água, lavamos nossa roupa com água, dependemos muitíssimo da água. Agradeci por todas estas coisas e logo depois, ao meio-dia, minha melhor amiga, que não sabia nada sobre minha situação, tocou a campainha e trazia na mão um peru e duas dúzias de ovos. Estava em sua hora do almoço. Disse-me que estava preparando algumas coisas para a ceia, quando ocorreu-lhe que eu poderia querer usar algumas. Quis saber por que fazia tanto frio dentro de casa, já que estava mais frio dentro do que fora. Atribuí o fato ao cano quebrado. Então perguntou se eu tinha carvão, como não respondi, ela foi verificar o lugar onde ele deveria estar, encontrou-o vazio e bem varrido. Então falou que andara se perguntando qual presente deveria dar-me no Natal e que se dava conta que o melhor presente seria uma tonelada de carvão, e que estaria chegando em duas horas. Partiu e eu fiquei muito agradecida por tudo isso.

Logo tocou novamente a campainha. Na porta estava o dono de uma granja, cuja mãe eu estivera ajudando por meio de oração e que não havia conseguido pagar-me. Por isso ela mandou que ele me entregasse uma grande bolsa com batatas, repolhos, cenouras, cebolas e tudo mais que cultivava na granja. Eu sentia minha copa transbordando.

O Sr. Se foi e uma hora depois tocou novamente a campainha. Era uma mulher, cuja a filha eu havia ajudado e que tampouco havia podido me pagar. Andara preparando alguns pratos para a ceia, pastéis, tortas, frios, bacon, salsichas, um frango, que lotaram o meu congelador. Eu vi o poder da gratidão antes que aparecesse a luz. Tinha uma vizinha de idade avançada que vivia só e eu sabia que ela sofria com a solidão, por isso convidei-a para cear comigo essa noite. Acendi o fogo, assei o peru e asseguro-lhes que, depois de passar semanas sem provar nada além de cereal de trigo com leite, nunca nada foi tão saboroso quanto essa ceia. Tudo estava realmente excelente. Conto-lhes esta história para ilustrar o fato de que “O pássaro canta antes do amanhecer”.

Em outra ocasião, quando já vivia nessa mesma casa, o gerente do banco telefonou porque queria ver-me, pois eu estava com um saldo devedor muito grande. Fiquei muito assustada e liguei para a minha melhor amiga, que era a única que sabia do meu problema. Confessei a ela que estava aterrorizada diante da perspectiva de enfrentar esse homem. Não tinha dinheiro para pagar o aluguel, não tinha dinheiro pra trazer meus filhos para casa quando as aulas terminassem, eu não tinha dinheiro algum. Minha amiga disse que iria orar por mim. Quando eu já estava de saída, ela me telefonou dizendo que gostaria de ler para mim o trecho da Lição Sermão daquela semana sobre a mulher virtuosa. Está em Provérbios 31 e no final diz assim: “Dá-lhe do fruto das suas mãos, e a louvarão em público por suas obras.” Emocionei-me por saber que minha amiga tinha uma opinião tão boa de mim.

A entrevista com o gerente do banco foi muito difícil. Disse que meus filhos não deviam freqüentar aquela escola particular na qual estavam, que eu gastava mais do que a minha receita permitia, que eu não podei arcar com todos os gastos de viagem da escola para casa, que não tinha dinheiro suficiente para os gastos da casa, que tinha que dar-me conta de que ganhava muito pouco e que não podia fazer todas as coisas que fazia. Suas palavras foram tão duras que quando saí, caí em prantos. Sentia-me humilhada, envergonhada e não conseguia pensar no que mais poderia fazer, porque já colocava o melhor de mim em tudo o que eu fazia. Foi então que recordei que “O pássaro canta antes do amanhecer” e por isso em silêncio agradeci a Deus por ter uma amiga que naquele momento estava me apoiando, orando por mim. Recordei as palavras que ela tinha citado. “Dá-lhe do fruto de suas mãos, e a louvarão em público por suas obras”.

Então a porta do Banco abriu e saiu o gerente. Segurou-me pelo ombro e fez-me entrar em sua sala novamente. Disse que não havia dormido na noite anterior por minha causa. Que admirava-me por estar criando 5 filhos sozinha, sem a ajuda de meu marido, e que o estava fazendo muito bem. Que estava dando-lhes uma excelente educação naquela escola da Inglaterra, e que nunca pedia nada para mim… e conclui dizendo que ia defender-me e  ajudar-me, e prometeu que ia encarregar-se pessoalmente de que eu sempre tivesse dinheiro para pagar o aluguel da minha casa e para trazer os meus filhos da escola para casa. Quando saí, sentia-me flutuando no ar e pensei na veracidade das palavras da Bíblia que a minha amiga havia citado. O gerente estava reconhecendo o meu ser à luz da verdade da Ciência Cristã. Ele sabia que eu orava pro cada situação que se apresentava. Pude pagar em pouco tempo o saldo devedor e as circunstâncias tornaram-se mais fáceis.

Uma vez li a história de uma mulher que estava num campo de concentração durante a Segunda Guerra mundial. Era holandesa. Ela e sua irmã foram para a prisão levando de contrabando uma Bíblia. Foram colocadas em uma cela só pra elas, mas o colchão estava tão cheio de pulas que não podiam dormir nele. Um dia, quando se puseram a orar, ela sentia-se muito deprimida e sua irmã lhe propôs darem graças, e começaram a procurar o que tinham para agradecer. Sua irmã agradeceu a Deus pelas pulgas. Ela disse: “sinto não poder fazer o mesmo, eu não agradeço a Deus pelas pulgas.” A irmã insistiu em que deveriam agradecer a Deus por tudo., por cada tribulação, então, por fim, resignada, agradeceu a Deus pelas pulgas. Depois colocaram mais duas mulheres na cela junto com elas, e notaram que as sentinelas não se aproximavam daquela cela porque sabiam que estava cheia de pulgas. Por isso as quatro puderam compartilhar a Bíblia nessa pequena cela. Uma vez mais: “O pássaro canta antes do amanhecer.” Elas puderam contar histórias maravilhosas sobre a maneira que Deus as havia ajudado.

Há alguns anos estive orando por uma mulher que tinhas três filhos, dois adolescentes e um menor com 11 anos. Ela tinha uma enfermidade muscular que a impedia de andar e utilizar seus braços. Estava doente há 7 anos. Não era Cientista Cristã, e seu padrinho de casamento, o melhor amigo de seu marido, era seu médico. Este amigo trouxe vários especialistas de Londres para a ajudarem, mas a única coisa que conseguiu foi vê-la piorar. Há 18 meses achava-se prostrada na cama.

O marido desta mulher escreve para o The Christian Science Monitor. Ele é jornalista. Foi indicado por mim para este emprego, na época o presenteei com o livro texto. Passaram-se 17 anos desde aquela ocasião. Durante esses anos nunca abriram o livro texto da Ciência Cristã. Um dia telefonei para agradecê-lo por um artigo que tinha escrito no Monitor e sua esposa atendeu o telefone. Falou que seu marido estava no jardim e que ela não podia levantar-se para chamá-lo porque estava confinada na cama. Por cortesia perguntei como ela estava e ela se pôs a chorar. Disse que não podia mover-se da cama e por fim perguntou se eu acreditava que a Ciência Cristã poderia ajudá-la. Afirmei que estava segura que podia, por isso, ela convidou-me a ir visitá-la.

No dia seguinte fui à sua casa e o marido recebeu-me na porta, dizendo: “Myrtle, por favor, não prometa a ela algo que não possa cumprir. Está cansada de promessas e em nenhuma delas a cura se realizou, ela não agüenta mais e, francamente, nem eu. Quando volto diariamente do trabalho para casa, tenho que lavar roupa, fazer as compras, ocupar-me de nossos filhos. E eu sou um jornalista ocupado, tenho um trabalho de tempo integral, trabalho com o público e esta situação é muito, mas muito difícil.” Então, levou-me ao quarto de sua esposa. Ela era uma mulher muito alta, de um metro e oitenta, mas estava tão magra que não podia sequer erguer a cabeça. Tive que segurar sua cabeça e vira-la para que ela pudesse me ver. Começou a falar sobre todas as vezes que havia ido para o hospital, sobre tudo o que havia ocorrido com ela e quando finalmente puder dizer-lhe algo, mencionei algumas das promessas da Bíblia, tais como: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). “Retribuir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto…” (Joel 2:25). Pediu que eu as escrevesse e colocasse em seu guarda-roupa para que pudesse vê-las e acrescentou que queria ver-me no dia seguinte. Voltei três dias seguidos, e ela não conseguia parar de falar de seu sofrimento e de tudo o que havia passado… até que perguntei-lhe o nome de sua enfermidade e disse-me que era algo muscular que começava com M, a sigla eram MIM* e disse-lhe que tinha razão, que por três dias a única coisa que havia feito era falar de si mesma. Disse que esse MIM do qual falara, não era sua identidade como Deus a conhecia, e que se pudesse se manter em silêncio por alguns momentos, eu iria falar sobre essa sua identidade, desse MIM que Deus conhecia e como Deus a via. Prometeu manter-se em silêncio. Comecei dizendo: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” (Gen. 1:31) e que ela estava incluída ali, que Ele a via em toda a beleza e perfeição, com as quais a havia criado.

Durante duas semanas fui visitá-la e em pouco tempo começou a responder ao tratamento. Foi então, que seu marido teve que ir a uma reunião em Bruxelas. Chamou-me para dizer que não sabia o que fazer com Hilary. Ela não queria voltar ao hospital, e ele não podia deixá-la só. Convidei-a para ficar em minha casa e seu marido ficou muito agradecido. Preparei um quarto para ela e todos os dias declarávamos a Verdade, líamos, estudávamos e sua resposta ao tratamento era muito lenta. Então, um dia perguntou-me porque a cura era tão lenta. Disse: “se Deus vai curar-me, porque não se apressa então o faz logo? Porque tenho essa enfermidade há tantos anos? Porque há pessoas, como as do Exército Revolucionário Irlandês, que caminham sãs pela rua e eu não posso nem sequer desfrutar da criação de meus filhos. Parece muito injusto.” Assegurei-lhe que tínhamos que ser gratas até pelo pequeno progresso que havia obtido, que tínhamos que expressar gratidão e comecei a lhe contar sobre o poder da gratidão. Depois a deixei com uma quantidade de publicações antigas e quando voltei, umas duas horas depois, encontrei-a muito entusiasmada. Contou que havia encontrado um Sentinel com um artigo escrito por Peter Henniker-Heaton, intitulado “Gratidão. Não Existem Motivos Para Queixar-se.” Esse artigo mencionava muitas praças, a Praça de Trafalgar, a Praça Times, a Vermelha e todas as praças das grandes cidades do mundo, e ainda dizia “mas este ano, em Dallas, Texas, foi inaugurada um Praça de Ação de Graças, na qual todos podem orar para o Deus em que crêem e para dar graças.” E neste artigo ainda: “a gratidão entendida espiritual e cientificamente é tão poderosa que se toda a cidade possuísse e usasse o potencial de uma Praça de Ação de Graças, de imediato se resolveriam muitos dos urgentes problemas urbanos de nossa época.” Continua mencionando as várias vezes em que nosso Mestre deu graças e ao final diz: “a comemoração anual de Ação de Graças, observada em muitos países, lembra-nos de colocar em

* Neste relato, originalmente feito em espanhol, a palavra “MI” é empregada com duplo sentido: como pronome pessoal e também com a sigla da enfermidade. Nesta tradução, para mantermos o sentido original do relato, modificamos a sigla da enfermidade para “MIM”.

ação todos os dias do ano o poder da gratidão, gratidão pelo bem obtido no passado e pelo bem futuro que nos espera. Tendo ou não uma Praça de Ação de Graças em nossa cidade, todos nós podemos manter uma Praça de Ação de Graças em nosso coração”. Então propus a Hilary que inaugurássemos uma Praça de Ação de Graças em nossos corações. Por isso decidimos escrever uma lista de agradecimentos e ela escreveu muitas folhas, e eu observei que seu progresso se acelerou a partir daí. Passados 5 dias, seu marido voltou e ela desceu as escadas correndo para recebê-lo. Como não se sentia suficientemente segura para voltar para sua casa, perguntou-me se poderia continuar na minha por mais uma semana, concordei. Partiu dirigindo seu carro pela primeira vez em dois anos. Nesta noite o marido levou toda a família a um grande centro comercial e cada um comprou o que quis, depois foram a um restaurante. Pai e filhos deram-se as mãos, antes de comer, para agradecerem a maravilhosa cura.

E se isso pode ocorrer a uma pessoa, não seria maravilhoso se tivéssemos uma Praça de Ação de Graças em Belfast? Se a gratidão pode fazer tanto por uma pessoa, imagina o que pode fazer por uma cidade. As pessoas podem deixar de se sentir dignas de pena e direcionar seus pensamentos para agradecer tudo o que têm – pela beleza do país, pela calidez e amabilidade do seu povo. Hilary e seu marido acharam uma grande idéia. Três semanas depois eu ia para Boston e prometi-lhes averiguar algo sobre a Praça de Ação de Graças.

Uma vez em Boston, perguntei à responsável pelo departamento de Filiais e Praticistas, se sabia alo sobre essa praça. Disse-me que conhecia pormenores porque havia sido criada em Dallas, e que a pessoa que teve a iniciativa de criar essa praça, tinha freqüentado a mesma Escola Dominical que ela. Colocou-me em contato telefônico com esta pessoa. Peter Stewart, que ficou muito contente em saber que eu era da Irlanda do Norte. Compraram-me uma passagem para eu ir visitar essa praça. Fiquei encantada por ela estar localizada no coração de Dallas. Rodeada de enormes edifícios, possui uma linda cascata, e pessoas sentam-se na praça para almoçar. Tem um edifício em forma de espiral, em cujo topo existe uma pequena capela onde todos podem entrar pra dar graças. Há um grande aquário onde as pessoas depositam cartões com os motivos pelos quais estão agradecidas. Esses cartões podem ser lidos. Li o de uma viúva que expressava sua gratidão por ter sido casada com seu marido durante 5 anos já que muitas mulheres vivem 50 anos casadas com um homem mau. Uma jovem recém casada agradecia por haver casado naquele dia… E havia muitos outros.

Durante 5 anos tentei despertar o interesse das pessoas da Irlanda do Norte para a construção de uma Praça de Ação de Graças. Enviei carta aos jornais, convidaram-me para falar duas vezes no rádio local sobre o Dia de Ação de Graças, mas não obtive muita atenção. Só que sabia que a idéia era correta e que eu já havia plantado a semente. O interessante é que exatamente antes do “cessar fogo”, veio até mim um grupo de pessoas muito importantes para dizer que gostavam da idéia de uma Praça de Ação de Graças e que acreditavam ter chegado a hora de termos uma na Irlanda. Outra vez, “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Não vou dizer que esse “cessar fogo” foi o resultado dessa breve reunião em minha casa, na qual fizemos nossos cartões de gratidão, mas sei que ajudou. Agora já tenho outros interessados e penso que a idéia está se desenvolvendo e que em breve teremos um lugar para essa Praça e vamos começar a arrecadar fundos. Essa praça será muito especial, porque quando uma pessoa vai a uma igreja na Irlanda do Norte todos sabem a que religião pertence, ou irá a uma igreja católica ou a uma protestante. Quando existir uma Praça de Ação de Graças, nada saberão sobre a religião da pessoa que ira dar Graças a Deus. Será um bom lugar para reunir todos e para aprender sobre culturas distintas, sobre como podem ajudar-se mutuamente… poderá ser usada para vários fins.

Agora quero falar-lhes um pouco sobre Peter Henniker-Heaton, o autor do artigo. O que aconteceu me ensinou que nossa noção de tempo é completamente equivocada. Eu havia dado ao casal o livro texto da Ciência Cristã, que ficou guardado na estante por 17 anos antes de o lerem. Eu acreditava que quando damos o livro a uma pessoa, se ela não o lê em até 3 meses, então podemos esquecer o fato, porque não o lerá nunca mais. Essa era minha percepção do tempo. Esse artigo de Peter Henniker-Heaton foi escrito uns 18 ou 20 anos antes de minha amiga o ler, mas a verdade que continha continuava a ser uma bênção e continuava fazendo bem.

Peter Heinneker-Heaton conhecia muito bem o poder da gratidão. Sua cura demorou 10 anos. Durante a guerra teve que deixar a Marinha, porque teve paralisia nas pernas. Não saía da cama e sua esposa que era cantora de ópera e solista, teve que ir trabalhar para pagar o aluguel e para mantê-lo. Ainda quando a cidade de Londres estava sendo bombardeada, ela tinha que deixá-lo sozinho ou em outras ocasiões, tinha que carregá-lo nas costas 3 andares pelas escadas, para chegarem ao refúgio daquela área. Ele teve que superar escaras que se formavam por estar sempre na cama, e sua condição física piorou tanto que nem sequer conseguia virar as páginas de Ciência e Saúde. Alguém fabricou um aparelhinho para ajudá-lo a virar as páginas do livro e então ele decorou o livro texto.

O primeiro dia que pode sair à rua, depois de 10 anos, saiu de muletas e estava tão entusiasmado por poder sair que decidiu tomar um ônibus. Um senhor de semblante franzido e mal-humorado, sentou-se ao seu lado e começou a queixar-se de que não gostava do chofer, do preço da passagem, do tempo, etc. Peter perguntou se ele não se sentia agradecido pelo lindo dia, por ter dinheiro para pagar a passagem. O homem respondeu que não se sentia agradecido por isso e ainda disse a Peter: “suponho que o Senhor tem uma vida fácil, que tem tudo e, por isso, pode estar agradecido.” Peter disse que tinha muitíssimo para ser agradecido, e disse que aquelas muletas próximas de ambos eram dele, e que era o primeiro dia que saía para passear em 10 anos. E acrescentou que se estava ali é porque inicialmente tinha sido grato. Ele conhecia o imenso poder da gratidão. “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Houve dias que parecia que Peter estava morrendo, mas até nestes momentos ele nunca abandonou a esperança. Ele mesmo foi um pássaro que cantou antes do amanhecer. Escreveu um poema intitulado “Jubileu”. A última estrofe diz:

“Minhas colheitas, os gafanhotos comeram,

meus alegres brotos verdes, jamais floresceram

por tormentas repentinas e fortes chuvas açoitados,

pela geada e vorazes insetos devorados,

estas colheitas de minha semeadura invernal,

fartam os carros em minhas portas no presente,

sobejante e com abundância transbordante,

até o último grão, restaurado, saciado.”

Escreveu isto muito antes de obter sua cura. “O pássaro cantou antes do amanhecer”.

Agora vou compartilhar o testemunho dado por uma senhora na igreja. Relatou que seu marido havia adoecido gravemente. Sua irmã morava com eles e as duas cuidavam dele. Precisaram passá-lo para uma cama no andar térreo e ficaram orando por ele, mas foi piorando. Numa noite parecia que ele ia morrer. As duas estavam próximas ao seu leito e sua irmã chorava e se perguntava por que suas orações não haviam sido respondidas. Ficaram orando com o hino da Sra. Eddy “Apascenta minhas ovelhas”. Então, puseram-se a analisá-lo. Há um trecho que diz: “Tua voz escutarei para não errar” e elas honestamente podiam afirmar que estavam escutando, que estavam “seguindo” atentamente. E aí se deram conta de que o hino também dizia: “Pela senda rude irei, SEMPRE A CANTAR”. Constataram que não estiveram expressando alegria. Seguiram para o aposento ao lado e se puseram a cantar e a tocar hinos no piano. Cantaram a noite inteira. Foram para a cama às 5 da madrugada e na manhã seguinte, o homem subiu as escadas para dizer-lhes que estava curado. “O pássaro cantou antes do amanhecer” nessa ocasião também. Gosto muito dessa experiência.

Um praticista relatou-me outro caso. Uma mulher reclamava que não podia caminhar e estava se desanimando muito porque não sentia melhora em seu estado físico. No dia em que a praticista foi visitá-la, pediu que ela começasse a louvar a Deus e a dar graças. A mulher caiu no choro e disse que isso era algo que não conseguia fazer, porque estava muito sofrida, e que seu marido havia perdido o emprego, e achavam-se muito endividados e, por isso, não tinha motivos para estar grata. A praticista então perguntou se ela poderia sentir-se grata por sua enfermidade não ser real, porque por mais que parecesse real, não era real para Deus. E indagou: “pode estar agradecida por isso?” A mulher respondeu que sim. A praticista continuou: “pode estar agradecida porque todas as coisas são possíveis para Deus?” A mulher respondeu que podia estar agradecida por isso. E ainda: “pode estar agradecida por ter sido criada à imagem e semelhança de Deus? Por ser perfeita, bela, feliz, saudável, livre e ativa?” A mulher admitiu que poderia estar agradecida por isso também. Então a praticista pediu que ela escrevesse todos os dias uma lista de motivos pelos quais podia estar grata e que lhe enviasse pelo correio. No outro dia a praticista recebeu uma carta de 16 páginas e, o melhor de tudo, é que a mulher foi entregar pessoalmente e completamente curada. Vêem? A gratidão foi manifestada primeiro. E nós ainda cremos que não devemos estar agradecidos até vermos uma mudança, até nos sentirmos melhores, etc., mas isso não é o correto. “O pássaro canta antes do amanhecer”.

Sabiam que todo problema no mundo é uma crença de carência? O mundo está mesmerizado com a crença de que algo está faltando. As pessoas se limitam, crêem que dispõem de uma quantidade limitada de dinheiro, que os empregos são limitados. Se uma mulher deseja casar-se, pode pensar que há poucos homens… Tudo é limitação e falta de entendimento, mas temos que compreender que a lei de Deus é “infinidade, liberdade, harmonia e felicidade sem limites” (C&S 481). Ele não conhece a carência, nem a limitação. Às vezes, quando enfrentamos um problema que não cede, temos que nos empenhar em vencer a crença na limitação. Pessoas de muito dinheiro podem sentir-se limitadas em outros aspectos. Talvez não consigam as pessoas corretas para empregarem, ou não aparecem as oportunidades, ou falta-lhes gerenciamento, seja o que for, tudo se resume numa crença de carência. E quando passam-se os anos, a crença das pessoas é de que falta-lhes algo no corpo. A mente mortal está sempre nos dizendo que algo nos falta, ou que precisa ser acrescentado a nós, para que nos transformemos nos “filhos perfeito de Deus”. A Bíblia nos diz: “Tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar…” (Ec. 3:14). Não é necessário que nada se acrescente ou se retire do filho de Deus para torná-lo o filho perfeito de Deus.

No último ano como conferencista, caí em minha casa e quebrei um osso do pé. Isso aconteceu numa noite muito úmida, quando saí para colocar as garrafas para o leiteiro. O piso de ladrilhos estava molhado e eu escorreguei, as duas garrafas se quebraram e uma caiu no peito do meu pé, cortou uma veia e saiu muitíssimo sangue. Nesse momento não percebi que havia fraturado o pé também. Dois dias depois, teria que iniciar uma excursão. Iria para a Escócia realizar a 1ª de uma série de conferências. A viagem duraria 7 meses. Não havia ninguém em casa comigo, então entrei engatinhando. Fui até o telefone fixado na parede, e não pude alcançá-lo. Então arrastei-me até meu quarto, no andar de cima, pensando que alcançaria o telefone que ficava na mesinha da luz. Mas não consegui, desmaiei. Quando voltei a mim, envolvi meu pé num lençol, tirei os vidros e tive que ficar ali onde estava até o dia seguinte, quando uns amigos me encontraram. Minhas filhas ficaram muito alarmadas e quiseram me levar para o hospital. Eu me recusei, porque não queria dar as minhas conferências engessada.

No dia de minha partida nem sequer pude calçar o sapato. Estava enfaixada. Tive que ser levada ao aeroporto em cadeiras de rodas. Quando cheguei ao meu destino estavam me esperando com outra cadeira de rodas. Tive grandes dificuldades para desembarcar e as pessoas que foram recepcionar-me, perguntaram se eu acreditava que, realmente, deveria fazer a conferência. Disse que sim, porque o que acontecia era que o erro estava tentando impedir a realização das conferências e que ele utilizaria qualquer disfarce para impedi-las. Faria minhas conferências sentada e com as pernas ocultas. Utilizaria também uma bengala.

Uma amiga que me encontrou naquele estado, se pôs a chorar e não queria que eu continuasse daquele jeito. Eu insisti em seguir adiante, então ela resolveu que iria me levar de carro às conferências. Ela nunca havia dirigido na Inglaterra e foi muito gentil de sua parte oferecer-se. Ajudou-me muitíssimo, enfaixava-me o pé e ajudava a me vestir. Um dia dirigiu desde o Sul da Inglaterra até o Norte, onde dei uma palestra. E tínhamos que sair no dia seguinte às 5 h da manhã para retornar ao Sul da Inglaterra. E eu já não conseguia dormir há umas duas ou três noites. Estava hospedada na casa de uma praticista, que chamou uma enfermeira da Ciência Cristã para limpar o meu pé e o enfaixar. Quando viu meu pé a enfermeira disse: “Sra. Smith terá que ficar num Hospital da Ciência Cristã. Não está em condições de fazer o que está fazendo”. Chamou a praticista e pediu que ela me convencesse de fazer o que sugeria. A praticista pediu para eu cancelar minhas conferências. Então eu disse que se agisse desse modo, o erro teria triunfado e ficaria muito satisfeito ao interar-se do cancelamento de todas minhas palestras e de que eu estava num hospital. Afirmei que não lhe daria este prazer e que faria todas as conferências. E li o seguinte versículo na Bíblia: “…Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete minha carreira com gozo” (Atos 20:24). Assim, não só soube que completaria a minha viagem, mas que o faria com gozo. Então as duas deixaram-me só. Meu pé doía muito e comecei a chorar. Às 3 h da madrugada perguntei a Deus se o que estava fazendo era produto da minha vontade pessoal, porque se eu estava sendo cabeça dura, eu não iria ajudar nem fazer nenhum bem à causa da Ciência Cristã. Roguei a Deus por uma resposta.

Neste momento tive o seguinte pensamento: “Tens esquecido de ser grata?” Imediatamente me senti agradecida por todos os amigos que encontrei ao longo da viagem, pela enfermeira, pela praticista, pela amiga que dirigia para mim, então perguntei-me se eu era grata por meu pé. Comecei a pensar em meu pé e senti-me muito grata por ele. E dei-me conta de tudo o que eu havia realizado graças ao meu pé. Comecei a acariciar o pé e a dizer-lhe que realmente era grata por ele. Ele havia me ajudado a dar meus primeiros passos quando eu era bebê, havia me ajudado a caminhas. “Quando era menina ajudaste-me a brincar, a ir à escola. Quando jovem, me levaste a bailes e nos divertimos muito. Te recordas destes bons tempos? Um dia me levaste ao altar (e eu não se foi um bom dia ou um mau dia)”. Disse que realmente estava grata ele. Ele havia me ajudado a empurrar o carrinho de 5 bebês. Havíamos realizado grandes caminhadas com todos os meus filhos. Concluí que amava esse pé, e lhe disse: “escuta-me pé, que farias sem mim? Se alguém disser que tenho que te cortar, o que serias? Um pé morto? Queres ser um pé morto? Então porque eu e você não nos pomos de acordo e glorificamos a Deus juntos? O que te parece, pé?”¹ Bem, pela 1ª vez em muito tempo, consegui dormir. Dormi apenas algumas horas porque às 5 h tinha que partir. Mas despertei-me muito cedo, foi quando então percebi que a dor cessou, mas ainda estava muito, mas muito inchado.

Uma das coisas que tive que superar foi o fato de sentir-me envergonhada, me preocupava com o que as pessoas estavam pensando de mim. Acreditava que me criticavam porque eu era conferencista e praticista e tinha que depender de uma bengala. Um dia me perguntei “realmente importa a você o que dizem? Você não sabe que está tratando disso com Deus? Importa se levar 10 anos?” Concluí que como estava resolvendo o problema com Deus, não deveria preocupar-me com o que pensavam os demais. Eu não estava fazendo o mínimo, mas o máximo que eu podia fazer. Sobrepor-me ao que “poderiam dizer” foi uma boa lição para mim. Depois disso, pela 1ª vez, consegui apoiar um pouco o meu pé. Nesse dia o sol brilhava através das árvores e eu me senti muito grata.

Terminei minha viagem e voltei para casa. Ia viver na Inglaterra por um ano e minha filha, que morava lá, voltou comigo para ajudar a empacotar a mudança. O senhor que cuidou de meu jardim durante minha ausência, veio esperar-nos no aeroporto. Não me via há 7 meses e o primeiro comentário foi: “Está precisando usar bengala e ainda não fez nada sobre esse pé?” Afirmei que estava tudo sob controle. Quando chegamos em casa, a faxineira quando me viu também me censurou por eu não ter procurado ajuda médica.

Uma hora depois, veio me visitar meu único irmão, que não estudava Ciência Cristã. Disse que buscaria um médico. Minha filha irritou-se muito com ele, e pediu para ele me deixar resolver o problema à minha maneira. Então meu irmão disse que eu era a única pessoa da família que lhe restava, que só queria o meu bem, e que por isso, ia fazer o que era melhor para mim. Pedi à minha filha que o deixasse tentar. Passou dois dias tentando conseguir um médico, voltou contando que não havia nenhum que quisesse atender-me, porque eu não estava cadastrada.² Achei aquilo muito bom. No outro dia retornou dizendo que iria conseguir uma consulta com um médico particular. Mas só haveria horário disponível para outubro ou novembro, e eu partiria em dois dias. Na noite anterior à nossa partida, enquanto arrumávamos as malas, minha filha esperava que o seu tio Gordon não aparecesse. Tranqüilizei-a, porque meu irmão era fanático por futebol e nessa noite passaria pela TV a final da Copa Mundial.

Sua esposa me confessou que tinha até que desligar o telefone nos dias de jogo, e caso chegasse alguma visita, não podia sequer abrir a porta. Jantavam uma hora antes do jogo. Ele levava suas batatas chips e tudo o que ia precisar para perto da TV e na hora do jogo não deixava que nada o atrapalhasse. Por tudo isso, assegurei a minha filha que não havia nenhuma chance dele aparecer nesta noite. Mas tocou a campainha e era meu irmão! Perguntei o que ele estava fazendo ali numa noite de final da Copa?! Respondeu que havia encontrado a solução ideal. Iria levar-me para a emergência do hospital, porque queria chegar ao fundo do problema. A essa altura minha filha começou a chorar, então lhe disse: “Linda, não chores. Eu estive fazendo meu trabalho. Tenho certeza de que meu trabalho está realizado. Estive trabalhando durante todos estes meses e outras pessoas estiveram orando por mim, e por mais que façam repetidos raios X durante anos, não irão me encontrar ali porque não vivo na matéria, vivo no Espírito. Se isso o faz feliz, então que me leve ao hospital.

Quando a doutora viu meu pé, na podia acreditar no seu estado. Queria saber quanto tempo ele estava naquelas condições e respondi que estava assim há 7 meses. Quis saber ainda porque não havia procurado ajuda médica antes. Contei-lhe que era estudante de Ciência Cristã e que resolvia tudo a partir dela, e que estava ali só para confortar o meu irmão. O conceito que a médica tinha sobre a Ciência Cristã era desfavorável e afirmou que as condições em que o pé estava eram tão ruins, que não acreditava que pudessem curá-lo. Mandou-me de cadeira de rodas à sala de raios X, com instruções de baterem chapas de todos os ângulos possíveis. Assim o fizeram e mandaram-me de volta com o resultado. Quando a médica as examinou, afirmou que havia um equívoco e que aquelas chapas eram de outro pé, porque este se encontrava em perfeitas condições. Assegurei a ela que aquele era meu pé. Ligou para a sala de raios X para comunicar que aquelas chapas enviadas eram de outra pessoa. Mas afirmaram que, há pelo menos três meses, ninguém tirava chapas de um pé. Aquelas eram as únicas que existiam.

A doutora decidiu chamar outro médico. Pediu que examinasse o meu pé e as chapas. Imediatamente o médico disse que aquelas chapas enviadas não eram as corretas. Ela confirmou que eram. Resolveram sair para fazer uma reunião entre eles. Ao retornarem examinaram meu coração, apesar de eu não saber o que meu coração tem a ver com meu pé. Ocorreram-lhes todo o tipo de idéias até que , por fim, a médica afirmou saber o que acontecia. Disse: “A Será. Andou viajando por 7 meses, usando bengala para não colocar peso nesse pé e por isso concentraram-se líquidos nele. Apóie-o, caminhe normalmente”. Quando saímos, meu irmão que esperava lá fora, veio muito assustado perguntar qual era o diagnóstico para a doutora.  A médica disse que eu

1. Durante o relato de todo esse tratamento, Myrtle fez seus ouvintes rirem muito.

2. A medicina está socializada na Irlanda.

3. Nesta narração, Myrtle também foi muito cômica e fez com que todos rissem muito.

tinha um pé perfeito, e que só a tinha feito perder tempo. E meu irmão disse: “E eu que perdi o jogo?!”³ apoiei o pé e caminhei normalmente. Um dia e meio depois havia desaparecido todo o inchaço. Vêem? “O pássaro cantou antes do amanhecer”. Tive que sentir-me muito agradecida por este pé. E todos devemos estar agradecidos por nossos pés e mãos, porque necessitamos deste corpo e é o único que temos agora. Nos ocupamos de nossos móveis, nossos carros, nossos eletrodomésticos e temos que amare nosso corpo pelo que ele representa. Eu sei que Deus me vê espiritualmente e que a idéia espiritual que respalda o pé, é o pé real.

Mas nessa experiência eu estive agradecida até por este pé humano, porque nosso Pai diz: “como no céu, assim também na terra – Deus é onipotente, supremo” (C&S pág. 17). Assim senti-me grata ainda que por este corpo humano.

Essa cura foi muito importante para mim. Quando no ano seguinte voltei a fazer palestras em muitas das mesmas igrejas, pude dizer honestamente que a Ciência Cristã cura, que realmente cura, mas o pássaro tem que cantar antes do amanhecer. 4

“O pássaro canta antes mesmo do amanhecer”. Convido todos para que se decidam a deixar que o pássaro cante antes do amanhecer na causa da Ciência Cristã. Temos que compreender que é Deus quem se ocupa de nossas ações, que não estão nas mãos de pessoas ou indivíduos, e sim, nas mãos de Deus Todo poderoso. Me encanta o que diz Mary Baker Eddy, sobre gratidão, no livro texto da Ciência Cristã? “somos realmente agradecidos pelo bem já recebido? Então nós aproveitaremos das bênçãos que temos e assim estaremos aptos a receber mais. A gratidão é muito mais do que uma expressão verbal de agradecimento. Os atos exprimem mais gratidão do que as palavras” (C&S pág. 3).

Somos realmente agradecidos pelo bem já recebido? Estamos realmente agradecidos por cada membro filiado? Inclusive em nossa igreja filial? Somos agradecidos pelos membros que nunca trabalham pela igreja? Porque eles estão aumentando a congregação e apoiando financeiramente a igreja durante a coleta dos domingos. Somo agradecidos a todos ou estamos resmungando por causa de alguém que não faz alguma coisa bem ou que não faz nada? Somo agradecidos a todos os trabalhadores de Boston? Esse é um lugar em que eu não gostaria de trabalhar, não é fácil trabalhar ali. Temos que ser muito agradecidos por tudo e assim começará a amanhecer para nós.

Conhecem a história de Jesus, quando alimentou uma multidão? Jesus agradecia por tudo e agradeceu antes de alimentar a multidão (João 6:1-13):

“Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galiléia, que é o Tiberíades. Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos. Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos. Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima. Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Felipe: Onde compraremos pães para lhes dar de comer? Mas dizia isto para o experimentar porque ele bem sabia o que estava para fazer. Respondeu-lhe Felipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço. Um de seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas isto o que é para tanta gente? Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles, e também igualmente os peixes, quantos queriam. E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”.

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4. Myrtle foi conferencista de UM por 4 anos, depois começou a fazer palestras a convite das igrejas.

Há dois anos, li esta passagem na Lição Sermão. Jesus estava ali sentado com os seus discípulos e viu que tinha vindo a ele uma enorme multidão. Ele viu uma multidão de necessidades que tinham que ser satisfeitas. E creio que ele perguntou a si mesmo: “Somos suficientes? São 12 discípulos suficientes para alimentar uma multidão como esta?” Então viu que sim. Como símbolo, os alimentou. E havia uma lei nisto, havia uma pessoa disposta a compartilhas seus 5 pães e 2 peixes e Jesus disse que isso bastava. Ele magnificou o bem que já estava ali e partiu o pão, os deu aos discípulos e eles às pessoas. Conosco acontece o mesmo. Às vezes nos perguntamos se somos suficientes em nossas igrejas filiais, e temos que saber que somos. Damos graças primeiro, sabendo que somos alimentados pelo Cristo, por nosso Pastor, a Lição Sermão, e que isso é suficiente para alimentar multidões.

Uma vez dei uma conferência em uma Sociedade pequena, no Sul da Inglaterra. E quando fui ao serviço dominical observei muita atividade, as pessoas atuavam animadamente. Fiquei muito grata e impressionada e comuniquei isso aos membros com os quais almocei depois do serviço. Eles contaram que nem sempre havia sido assim. Dois anos antes estiveram a ponto de fechar suas portas, porque não tinham fundos, a calefação estava quebrada, necessitavam de um teto novo, não haviam crianças na escola dominical e encontravam-se quase sem membros.

Por tais motivos convocaram uma reunião e a maioria estava de acordo com o encerramento. Então uma pessoa tomou a palavra e disse que enquanto os demais falavam, se pôs a pensar que sei tivesse vindo do Norte da Inglaterra para esse pequeno povoado, se perguntaria se haveria nele algum Cientista Cristão. Logo colocaria um aviso numa loja e receberia uma, duas e até sete respostas, e todas de famílias. Alegrar-se-ia muito e pensaria que tinha um número suficiente de pessoas para formarem uma igreja, “mas neste momento, estamos aqui dizendo que sete não são suficiente. Tudo depende do ponto-de-vista”. Mencionou um artigo que viu alguns anos antes no SENTINEL, no qual a autora conta que corria para alcançar um trem em Londres. Carregando duas maletas pesadas tinha que subir uma escadaria, cruzar a plataforma e novamente descer a outro andar. E pensou que não conseguiria chegar a tempo. Restava apenas um minuto, mas passou por um lugar onde havia um relógio enorme e um minuto nele pareceu-lhe muito tempo. Pensou: “Tenho um minuto, contudo, um minuto enorme”. Aproveitou seu minuto, deixou de correr e chegou a tempo de tomar o seu trem. Depois este membro começou a considerar sua igreja desta outra perspectiva e passou a dar graças pelas bênçãos que recebiam e esta igreja está prosperando agora. Vêem? “O pássaro cantou antes do amanhecer” neste caso também.

Ontem li algo em ESCRITOS MISCELANEOS que achei muito interessante. Está na carta que a Sra. Eddy escreveu para a PRIMEIRA IGREJA DE CRISTO, CIENTEISTA, EM ATLANTA, GEORGIA. Gostaria de ler para vocês uma parte dela: “Esta casa tem sido santificada por Sua promessa: «santifiquei a casa que edificaste, a fim de por ali o meu nome para sempre; os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias» (I Reis 9:3). «Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar» (2 Crônicas 7:15). “Teus dias de festa não estão nas comemorações, mas sim no reconhecimento de Sua presença” (pág. 188). Adiante segue assim: “Tenha paciência diante da perseguição. A injustiça não tem um décimo do poder da justiça. Vossos inimigos farão a divulgação por vocês. A Ciência Cristã está se difundido, com passos seguros, pelo mundo inteiro. A perseguição é a fraqueza dos tiranos produzida pelo temor, e o amor a expulsará. Permaneça, com firmeza, no amor e nas boas obras. Filhos da luz, não sois filhos das trevas. Deixe que vossa luz resplandeça. Sempre mantenha o pensamento nas bases da Ciência Cristã – um Deus e um Cristo. Perca de vista o individualismo, e as bem-aventuranças do Cristo selarão vosso postulado” (pág. 191). Isto é tão verdadeiro hoje em dia, como o era na época em que a Sra. Eddy escreveu esta carta. A bênção do Cristo tem sido conferida a nossa igreja e ao movimento da Ciência Cristã e não podemos resistir a esse fato.

Ela menciona o dízimo. Muitas igrejas dão o dízimo. A Sra. Eddy nos dá a definição de dízimo: “Contribuição, décima parte; homenagem; gratidão” (C&S pág. 595). Por isso, cada vez que expressamos gratidão estamos dando o dízimo. Pensou alguma vez em doar parte de seu tempo diariamente para trabalhar para Deus? Creiam-me que suas vidas não voltarão a ser as mesmas se o fizerem. Quem sabe podem doar parte de um horário. Enquanto saem às compras, bem, podem decidir-se a dar graças a Deus e buscar motivos para serem agradecidos.

Eu estou muito agradecida de poder ter compartilhado estas idéias com vocês.

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Sem autocondenação – Deus ama você!

Você já sentiu que não era bom o bastante para ir à igreja? Como se não merecesse estar ali? Ou, talvez, que não estava vivendo nos padrões do comportamento cristão da maneira que você achava que deveria?

 

Quando você se sente assim, ou acha que os outros o estão julgando, pode parecer mais fácil ficar em casa. Mas não é irônico que, às vezes, nos afastamos da igreja quando mais precisamos dela?

Isso aconteceu comigo alguns anos atrás. Estava lutando com uma série de problemas – alguns relacionamentos importantes estavam confusos, minhas finanças haviam tido uma queda brusca e eu tinha alguns desafios persistentes de saúde de que não conseguia me livrar. Eu rezava, mas estava tão oprimido que perdi o rumo e sentia-me como se não soubesse mais como rezar. O que eu estava fazendo não estava funcionando para mim.

Apesar de nunca ter deixado de acreditar em Deus, eu me sentia desconectado dEle. Eu ficava pensando o que tinha feito errado que fosse tão ruim que não conseguia ver meu caminho com clareza. Eu não me sentia confortável com a ideia de participar da igreja, enquanto as questões e decepções amargas tumultuavam minha mente.

Eu sabia que a igreja tinha a ver com a cura.

 

Ainda, no fundo do meu coração, eu sabia que a igreja tinha a ver com a cura. É uma comunidade de pessoas trabalhando para compreender melhor a Deus – não um grupo que já tenha tudo pronto. Então, parecia perfeito perguntar: Eu era diferente de qualquer um dos membros da igreja?

Uma coisa que me ajudou a superar esta distância foi que minha filha queria ir à Escola Dominical. Assim, íamos de vez em quando e eu assistia o serviço, enquanto ela estava na aula. Para minha surpresa, descobri que eu estava mais engajada do que esperava. Eu estava realmente ouvindo. Às vezes, eu me rebelava com algumas declarações porque elas entravam com conflito com a maneira que eu pensava a respeito da minha vida naquele momento. Porém, de alguma maneira, ainda era bom pensar nas ideias – talvez porque elas haviam sido, anteriormente, parte integral da minha criação e vida.

Gradualmente, comecei a sentir a presença do Cristo em minha vida – na igreja e fora dela. Comecei a perceber que não precisava viver a vida cristã perfeita para ter um relacionamento com Deus. E esse foi o primeiro passo para sentir-me próximo ao Deus Pai-Mãe novamente.

Deixei de lado a necessidade de ser humanamente perfeita.

 

Ao mesmo tempo, aprendi a ser mais paciente e misericordioso comigo e com os outros. Era fácil ser crítico quando as coisas iam bem e eu pensava que tinha todas as respostas. Porém, descobri que era agradável deixar de lado a necessidade de ser humanamente perfeita – e a necessidade de ser crítica, quando outras pessoas não atingiam meu padrão.

E, pouco a pouco, percebia que tudo não estava perdido, mesmo quando tudo ao meu redor estava tão bagunçado. Comecei a ser grata pelas coisas que estavam indo bem.  Em alguns dias, isso não era fácil, mas eu podia sempre encontrar algo bom com relação à minha vida, mesmo que fosse tão básico quanto “estou respirando.”

Esta gratidão abriu diretamente meu pensamento a Deus e vi que não estava sozinha; Deus tinha sempre estado comigo. Eu nunca tinha me sentido assim antes. De fato, eu pensava com frequência como Deus podia me abandonar quando eu era tão fiel a Ele. Contudo, pensar sobre os conceitos espirituais, apesar de nem sempre sentir-me confortável nesta época, mostrou-me que era apenas minha percepção de que Deus estava distante. Ele tinha estado bem ali, comigo.

Eu percebi que estava fazendo a pergunta errada – “Por que Você não está cuidando de min, Deus?” – e comecei a fazer a pergunta certa – “Como eu pude em algum momento estar separada do Espírito?” Essa mudança de perspectiva mudou tudo. Eu até mesmo consegui perceber que todas as minhas necessidades tinham sido satisfeitas durante este período problemático.

As crenças religiosas que eu tinha mantido durante toda a minha vida tornaram-se mais vivas e reais para mim do que nunca. É uma dádiva que eu não percebi chegando, mas que nunca devolveria.

Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreveu “Para os que se apoiam no infinito sustentador, o dia de hoje está repleto de bençãos.” [1]

 

Ela não escreveu “Para aqueles que entendem todas as coisas espirituais… “! Apoiar-se em Deus, voltar-se a Ele quando não nos sentimos “bons o bastante”, abre o caminho para experimentarmos aquelas bençãos.

 

Somos sempre merecedores do amor de Deus.

 

Deus, o melhor Pai-Mãe que existe, ama Seus filhos de maneira consistente. Deus conhece-nos espiritualmente, não como mortais lutando com corações turbulentos, mas como ideias espirituais, perfeitos em todas as formas. Somos sempre merecedores do Seu amor. E, quando nos abrimos para esse amor, ele transforma nossas vidas e nos alcança, mesmo quando estamos mais aflitos e fizemos algo do que nos arrependemos.

Quando eu estava na faculdade, tive uma infecção vaginal desconfortável da qual não conseguia livrar-me. Eu dormia com meu namorado e sentia que estava desapontando a Deus porque isso não era consistente com o que eu aprendera sobre castidade e moralidade nos meus estudos da Ciência Cristã.

Eu queria ser curada, mas não queria me livrar da afeição física que tinha com meu namorado. Devido a isso, eu não sentia que as verdades que eu lia na Bíblia e no livro Ciência e Saúde se aplicavam a mim. Certo dia, enquanto visitava um praticista da Ciência Cristã para encontrar uma solução, eu deixei escapar “Estou dormindo com meu namorado e já fiz o curso primário!”(Eu queria dizer que já tinha feito o curso de doze dias de cura espiritual, o que indicava meu comprometimento com a Ciência Cristã.)

 

Ao invés de me condenar, a praticista riu e disse, “Ohhhhh, pecado triplo!” Senti-me completamente abraçada pela risada e pelo amor que veio com ela. A praticista conversou sobre pureza não como algo a se alcançar, mas como uma qualidade espiritual que é parte de cada ideia espiritual – incluindo a mim.

Eu não me sentia mais separada de Deus.

 

Eu sentia o amor de Deus bem ali, naquele escritório e fui rapidamente curada da minha infecção. Eu não me sentia mais separada de Deus. E os sentimentos de inadequação não mais me distanciaram no estudo espiritual ou da igreja. Eu, finalmente, casei com meu namorado, mas, o mais importante, eu obtive uma compreensão mais firme da moralidade em geral e, progressivamente, tomei melhores decisões morais em todas as áreas da minha vida.

Os detalhes humanos nas vidas das pessoas que Cristo Jesus curou sugerem que, ao menos alguns, pareciam nada merecedores – Zaqueu, o coletor de impostos, é um exemplo; a mulher adúltera que Jesus salvou de ser apedrejada até a morte é outro. Porém, me parece que Jesus foi capaz de curar instantaneamente, porque ele não perdia tempo julgando os sinais externos, porém, concentrava-se imediatamente na identidade espiritual do respectivo indivíduo. O amor puro de Jesus pelos homens, mulheres e crianças que ele curou espelhou o amor que Deus sente por Seus filhos.

Obviamente, somos parte deste amor, também. São Paulo fez esta declaração na Bíblia: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”[2]

 

Visões depreciativas de nós mesmos, ou dos outros, não nos afasta do bem que Deus está continuamente dando a cada um de nós.

Amy Richmond

 

Reimpresso da edição de 11 de abril de 2011 da revista Christian Science Sentinel.

Você também pode encontrar este artigo – e muitos, muitos outros, com uma grande variedade de tópicos – em http://www.spirituality.com (site e artigos em inglês).


[1]Ciência e Saúde: vii:1-2

[2]Romanos 8:38, 39

 

 

http://tmcyouth.com/blogs/no-need-for-self-condemnation%E2%80%94god-loves-you/

Tradução Leila Kommers.

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Uma base financeira segura em tempos de incerteza

Russ Gerber

Da edição de janeiro de 2002 dO Arauto da Ciência Cristã

Comenta-se muito sobre a nova economia e como ela tem afetado a vida das pessoas. Muitos especialistas já foram à televisão falar sobre nosso mundo interligado e de que maneira deveríamos proceder diante de oportunidades sem precedentes, do aumento da competitividade e do surgimento de produtos cada vez mais baratos, mais rápidos e mais eficazes.

Mas, agora, as conversas tomaram um novo rumo. Existe mais incerteza com relação ao horizonte econômico do mundo e como isso irá afetar a segurança financeira das pessoas.

Muitos de nós também já refletimos a respeito desse assunto. Preocupamo-nos com a estabilidade financeira de nosso futuro. Ficamos nos perguntando o que acontecerá à nossa vida, à nossa família e às nossas comunidades, principalmente quando se passa por uma recessão econômica.

Parece evidente que precisamos encontrar uma maneira mais eficiente de nos sentir seguros e de tomar decisões sábias no que se refere a tempo e recursos nessa nova economia. Essa é uma boa razão para dar mais atenção a um outro tipo de conversa, uma conversa muito particular. Uma conversa com Deus.

Ao conversar com Deus descobrimos muitas coisas. Homens e mulheres comuns, assim como alguns dos maiores líderes mundiais, descobriram o conhecimento, a inspiração, a força e a certeza de que necessitavam, ao conversar com Deus. Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy escreveu que: “Os patriarcas inspirados pela Alma ouviam a voz da Verdade e falavam com Deus tão conscientemente como o homem fala com o homem” (p. 308). E a história tem mostrado que essa comunhão com Deus tem um efeito muito importante na vida das pessoas.

Moisés, por exemplo, fazia muitas perguntas ao Altíssimo. Algumas delas eram de ordem econômica. Como é que ele deveria administrar a transferência de uma nação inteira? De onde viriam as mercadorias para atender às necessidades básicas, como alimento e água? Deus sempre tinha as respostas, as idéias práticas que atendiam tanto às necessidades de Moisés, quanto às necessidades diárias dos israelitas, que ele estava conduzindo para fora do Egito.

Numa escala muito menor, em minha própria família, lembro-me de ocasiões em que também nos fazíamos muitas perguntas: como cobrir as despesas da casa, como fazer para ficar mais tempo com nossa filha e o que fazer para deixar de encarar a vida simplesmente como uma luta pela sobrevivência. Mas, Deus sempre nos ajudou, com idéias que orientaram tanto minha atividade profissional quanto a de minha esposa, sustentaram nossa família e trouxeram satisfação à nossa vida.

A economia não é um assunto estranho para Deus. Não existe melhor especialista em leis de oferta e de procura ou na correta gestão de recursos do que o Criador e administrador do universo. O universo de Deus está povoado de idéias espirituais, entre as quais estamos nós. Essas idéias estão subordinadas à administração infinitamente sábia e amorosa da Mente divina. A economia divina está em ação.

A Mente transmite suas idéias a cada um de nós, e essas idéias nos ajudam a administrar nossa vida com sabedoria. Elas nos revelam novas oportunidades de crescimento e nos trazem segurança. A Mente está sempre presente, com respostas práticas até para as perguntas mais difíceis, antes mesmo de as fazermos.

Naturalmente, conversar com outras pessoas é importante para nos mantermos informados sobre os últimos avanços da economia. Contudo, para ter uma vida equilibrada e para ter certeza de que as decisões que tomamos individualmente estão corretas, é necessário partirmos da melhor perspectiva possível. E essa perspectiva provém de uma fonte mais elevada.

Russ Gerber
Diretor de Redação
The Christian Science Sentinel
Programa Radiofônico

 

 

Fonte: http://pt.herald.christianscience.com/portugues/edicoes/2002/1/052-01/uma-base-financeira-segura-em-tempos-de-incerteza

Acesso em: 26/4/2013

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